quarta-feira, abril 08, 2009

A despedida de um companheiro de leitura


Saiu nos Estados Unidos uma engenhoca que fará a alegria de quem quer atravessar a fronteira dos meios de comunicação impressos, como os jornais e revistas. Chama-se Kindle e está na sua segunda versão. É uma tabuleta do tamanho de a caixa de charutos e a espessura de um lápis, comum. Custa 359 dólares e permite uma leitura confortável. Armazena até 1.500 livros, documentos digitais e correspondência eletrônica. Assim como o iPod fixou novo um padrão para a música, o Kindle indica o futuro da leitura

O Kirldle e os próximos produtos gênero serão o complemento eletrônico dos impressos em papel. O jornal e o livro continuarão por ai mais parte de sua freguesia migrara para o armazenamento eletrônico. Por 42 dólares pode-se receber o NYT na tabuleta quando a assinatura convencional custa 150 dólares na banca. Só um extravagante lerá sua tabuleta enquanto toma café da manhã, mas será muito mais prático usá-Ia num avião, ou em uma sala de espera. Contudo o equipamento eletrônico não tem data para chegar ao Brasil.

Imagine-se o caso do livro "The lost city of Z" ("A cidade perdida de Z"), que conta a história do coronel inglês Percy Fawcett, desaparecido em 1924, enquanto procurava na Amazônia a cidade perdida de uma civilização extinta. Faz cinco semanas que ele está na lista de mais vendidos do "The New York Times".

A edição brasileira poderá demorar um ano para chegar às livrarias. Quem quiser comprá-Io (em inglês) pelo supermercado eletrônico da Amazon pagará US$ 16,50 pelo livro e mais 10 dólares pela expedição. Com o Kindle, o freguês conecta tabuleta ao seu computador e em dois minutos, baixa as 339 páginas de "Cidade perdida", por apenas US$ 1. A engenhoca aceita anotações, sublinha trechos, acha qualquer palavra dobra o canto da página. [Fonte:Trechos da coluna de Elio Gaspari no Jornal O Globo de 08/04/2009]

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A substituição da leitura e de seu instrumento tradicional não será aceita culturalmente para os nascidos antes de 1980; mas para a geração do videogame, os nascidos de 1980 em diante não haverá melhor opção de leitura e entretenimento. É como ouvir música na vitrola ou no iPod.

O livro eletrônico tem condições econômicas imbatíveis se comparado com o convencional, disponibilidade e acesso imediato e, ainda, é um fator de inclusão informacional e dai de inclusão social. Qualquer política de governo que não contemple esta possibilidade em pais do tamanho do nosso e de comunicação precária agravada pelas distâncias, não será uma política de informação realista.

Não se trata só de uma afetividade de enorme querência a um velho amigo com quem convivemos principalmente nós os mais antigos desde criança é o futuro que se alevanta, um vendaval que se soltou. Não há como impedir o caminho para o futuro.

sábado, abril 04, 2009

O Segredo é sagrado



Segredo: Aquilo que se oculta ao conhecimento; aquilo que não se divulga; que se quer manter em sigilo.

Sagrado: Aquilo que não deve ser tocado, mudado ou transformado; não deve ser infringido ou violado: como os sagrados direitos das empresas e profissionais com carreira formal.




Escritor bissexto lança agora no Brasil um livro chamado "O Culto do Amador"* contra o livre fluxo de informação se executado por amadores na web.

No seu livro o autor defende, no meu entender, quatro princípios básicos sumarizados por mim:

1 - Está contra a nova economia da edição, publicação e distribuição da informação online, pois a atividade não gera lucro e ainda atrapalha as instituições estabelecidas no mercado;

2 - É favorável ao monopólio das instituições estabelecidas em mercado para produzirem e disseminarem a informação e a cultura; não teria o menor sentido que "amadores" executem um papel na difusão cultural por sua inexperiência e por não possuírem condições legais ;

3 - Prega o protecionismo de uma reserva de mercado intelectual que deve ser direito do profissional habilitado e formalmente credenciado: "nós amadores de repente somos todos músicos, jornalistas, escritores cientistas e cineastas";

4 - Defende como sagrado que a geração do lucro pelas atividades de informação na Internet é das empresas e profissionais credenciados. As atividades de convivência informacional da web 2.0 estão fechando empresas e promovendo o desemprego.

O livro, em minha opinião, é pobre em idéias e de argumentos. Não estaria sequer sendo revisto não fosse o seu casamento de interesses com a mídia massiva. Estes canais, intransitivos e em final de carreira, querem com a polêmica estabelecer o espetáculo e ainda, conservar pelo tempo que puderem sua fatia dos falados lucros, via marketing das empresas e dos profissionais não amadores.

Aldo de A. Barreto



* Fonte: Artigo do jornal 'O Globo de 04/04/2009, caderno prosa e verso, 1ª página sobre livro de Keen, A. , "O Culto do Amador", Zahar.

sexta-feira, abril 03, 2009

publicidade e promiscuidade da informação


As palavras publicidade e opinião pública foram usadas excessivamente na ambiência dos comerciais de consumo de coisas e necessitam uma reconceituação para o vigor de seu significado original. A publicidade ou publicitar um fato ou uma idéia é uma forma de torná-los acessível ao conhecimento do público, sem a conotação de um convencimento por repetição ou outros artifícios de valores duvidosos da divulgação massiva.

Quando falamos de opinião pública, estamos nos referindo a opinião racional, formada e informada de maneira livre e consensual por uma comunidade operando na esfera publica, que pode lhe conferir atributos de verdade.

O Princípio da Publicidade diz que, o uso público da razão deve ser sempre livre e cada um se convoca para ser um publicador que fala através de seus enunciados e postagens ao seu público e ao seu mundo.

A atualidade coloca este princípio na Internet de conexões abertas e milhões de autores agora estão livres de editores e dos intermediários tradicionais das mensagens. Cada um é o seu próprio publicador na rede e está livre para disponibilizar seus escritos para julgamento de seus pares.

Esta interatividade multiespacial permite uma nova interatuação com os fatos, idéias e ocorrências de um cotidiano global. O receptor tem acesso às fontes de informação sem intermediação e com elas estabelece um dialogo de seu interesse. Rearranjam a informação de maneira subjetivamente individualizada por suas preferências, independente da influência dos canais de comunicação massiva formadores da opinião homogeneizada.

Novos procedimentos modificam a vivência e a convivência na sociedade, pela publicidade da informação e pela formação de uma opinião pública livre, pelo menos, da ditadura dos meios intransitivos que não conversam.

Mas estamos em uma época em que isso pode trazer a espetacularização da informação; um espetáculo da informação convivida por suas trocas podendo reduzir outras formas de consumo cultural. Pode reduzir informações importantes dos outros trabalhos de cultura, ciência e tecnologia e se confundir com uma cultura do entretenimento, onde o ato de, gerar e consumir informação, passa a ser tão divertido como ver ou escutar um show de variedades ou uma boa comédia.

A troca livre de enunciados não pode se transformar em uma promiscuidade informativa, uma configuração desordenada e confusa do universo colaborativo da informação trazida pelo excesso simbólico de individualismo privado nas de narrativas em rede.

Há que confiar no homem e sua capacidade de transformação para adequar-se ao novo regime de informação acreditando que:

“O homem é corda estendida entre o animal e o Super-Homem : uma corda sobre um abismo; perigosa travessia, perigoso caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar. O grande do homem é ele ser uma ponte e não uma meta : o amável no homem é ele ser uma passagem e um acabamento. Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses os que atravessam de um para o outro lado.”


As palavras de Zaratustra de Nietzsche são uma referência de posicionamento para o trabalhar com a informação . A convivência com a informação se encontra , nesta atualidade como se em um ponto no presente entre o passado e o futuro. Um regime técnico tradicional que precisa atravessar para uma outra realidade potencial de troca de informação e aprender a conviver com o novo e o inusitado, numa constante renovação da novidade.



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quarta-feira, abril 01, 2009

A anfibiedade que nos cerca


Na Mitologia grega, o Minotauro era uma criatura meio homem e meio touro. Ele morava no Labirinto e o vigiava. Usava sus anfibiedade para manter as condições técnicas que deveria preservar de um poder mitológico vigente. Era intransigente e parcial. Um minotauro está dentro de cada um de nos quando nos impede de viver o novo e ir para aos novos espaços potenciais. O labirinto digital é entravado pelo Minotauto que somos em nossa ambigüidade, mas:

ao morrer o minotauro chora, chora como uma criança
por fim se enrosca como um feto
e se aquieta no definitivo da morte (1)

"A anfibiedade que vivemos culturalmente e em sentido amplo, é a capacidade inata e adquirida de habitar e interatuar em contextos e condições diferenciadas. È a anfibiedade do animal que pode viver na terra ou submerso na água. As tecnoculturas da anfibiedade indicam heterogêneas alternativas e instâncias de integração progressiva entre o mundo analógicos e o digital. William Gibson (2) nos diz: "um dos erros que nossos netos encontraram em nós foi a nossa distinção entre digital e analógico, entre virtual e real. No futuro esta diferença será literalmente impossível. A distinção sobre o ciberespaço e o que não é ciberespaço será inadmissível." (3)

Esta anfibiedade é o que nos posiciona no mundo atual ou direciona o olhar de como nos vê o mundo. Se olharmos ao abismo digital ele certamente voltará seu olhar para nós (4). Um certo olhar conectado. o olhar da imensidão de um espaço que quer ser o arquivo da humanidade.

Vivemos em tempos, de uma época em que a conexão pauta a elocução e a forma de estar ou não potencialmente em uma realidade conectada. A única que existe segundo Gibson.

Nossa realidade ou é refugiada em nossa solidão fundamental, aquela individualidade do âmago de nosso ser ser ou é mediada por uma realidade que não é física, aparente ou visível. É como a escuridão, onde somente olhos linkados nos acompanham. Uma realidade digital onde podemos habitar pela vivência sem, contudo, estar coma a presença.

Nossa anfibiedade faz nosso viver ficar em dois mundos: o da realidade da existência e o da realidade potencial onde existimos metaforicamente linkados aos outros e são eles que nos definem. São eles que executam a transferência do que somos para um significado que nos designam no mundo digital.

No mundo digital somos definidos por quem nos olha tal como o abismo que nos devolve o olhar. Eu para mim não existo, o que existe é o meu eu para o outro. O eu digital existe nas testemunhas na minha vida online em convivência. O meu eu conectado é determinado por aqueles que me seguem no Twitter, nas listas, nas postagens do Blog.

E é assim, por uma significação de metáfora é que, na realidade da web transformamos a nossa narrativa em lenda, porque em cada conexão a interpretação do outro é diferente e com diferentes intenções e o ao final representamos a soma do que de nós diz. O eu potencial é designado e tem atributos de proezas notáveis, façanhas e condições heróicas ou fabulosas críticas. O que postamos e o que somos percorre assim uma odisséia independente no virtual e passa a ser livre do que dele eu disse.

Aldo de A Barreto


1 - Poema de Paulo Leminski
2 - William Gibson autor do famoso livro "Neuromancer (1984), e cunhou o termo Ciberespaço
3 - Tradução de tema de Rafael Cippolini do blog Cippodrmo de onde veio a "inspiração" desta postagem
http://cippodromo.blogspot.com/
4 - Freidrich Neitzsche


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segunda-feira, março 30, 2009

Emprego 2.0


Um artigo do blog do Wall Street Journal



A experiência de crescer online esta mudando drasticamente a expectativa de emprego e o mercado de trabalho para os nativos na web ou da geração F [geração Facebook]. Pelo menos estes novos entrantes do mercado do trabalho esperam não encontrar burocracias convencionais e se tiverem que encontrar espera lidar com a burocraciaweb.


A questão é se as empresas desejam em seus quadros este tipo de material humano, por serem mais abertos a inovação, mais criativos para encontrar soluções e operam sintonizados com o que já se denominou cérebro 2.0 uma cadeia cognitivas que em nada se relaciona com a dos seus pais.


A gerencia de recursos humanos de toda grande companhia nos EUA e Europa vêm modificando suas motivações ambientais para acomodar esta nova mão de obra. Por isso o Wall Street Jounal listou 12 características relevantes da vida online em uma era pósburocracia para as empresas que resolverem entrar no futuro com negócios:


1. Todas as idéias competem no mesmo nível. As idéias ganham suporte pelo mérito e não pelo poder político daquele que as colocou.

2. As contribuições em convivência contam mais. Na web o que conta não é o seu Currículo, mas como e com o que você pode contribuir.

3. Online as hierarquias são naturais não prescritas pela norma. A hierarquia é formada na livre escolha pelos pares em convivência.

4. Os líderes são para servir e não para presidir. No ambiente online você demonstra que sabe operando na prática os seus argumentos.

5. As tarefas são escolhidas e não determinadas. Cada um é uma Companhia em si mesmo e opera para melhor funcionar com as outras “eu e Cia Ltda”.

6. Grupos se definem e organizam em liberdade. Você escolhe os seus compatriotas; com quem vc vai se linkar e quem vc vai ignorar.

7. Os recursos são atraídos e não atribuídos. Na organização convencional os recursos são alocados por tradição de cada ano legal. Na web, online e em convivência, os recursos são atraídos pelas boas idéias e projetos.

8. O poder vem pela informação que você compartilha e não pela que vc esconde. O mundo online é uma economia do doador. Para ter influencia e status vc tem que distribuir seu talento e conteúdo.

9. As opiniões são partilhadas e ganham aquelas que têm seguidores. Na web se as suas opiniões foram acordadas e seguidores se apresentam não importam quão traumáticas elas possam ser que irão adiante.

10. Usuários ou clientes têm o poder de veto. Se a política ou o projeto agrega sentimento contrários a comunidade são vetados e interrompidos.

11. Na web a recompensa intrínseca vale muito mais. É só pensar na Wikipedia, nos arquivos abertos, softwares livres e em todas as orientações que são prestadas livremente. O dinheiro conta, mas o reconhecimento e a alegria de ter conseguido vale muito.

12. Hackers são heróis. Nas grandes companhias os ativistas contra o autoritarismos e os que se opõem a rotina mal formada são mal vistos, mesmo sendo os privilegiados inovadores. A web agracia todos os que posicionam contra o estabelecido, os que combatem o autoritarismo de qualquer forma , os descontentes criadores de caso, os tumultuosos, desde que, este comportamento se associe aos direitos digitais para todos.


Estas condições mapeiam uma convivência e emprego baseado na web e fazem parte do DNA dos nativos da Internet. Elas são raras de serem encontradas nas 500 maiores Cias listadas na Revista Fortune. Aqui fica uma questão: Qual dos itens acima relacionados com o trabalho baseado na web será mais evitado por uma multinacional de grande porte? Como será o processo para reinventar administradores e fazê-los consistente para operar com esta emergente sensibilidades online.


Fonte: Tradução de parte do artigo de Gary Hamel, “The Facebook generation vs Fortune 500” publicado no blog do Wall Street Jounal de 24 de março de 2009.





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domingo, março 29, 2009

A nova economia da informação

Éimportante indicar, para o campo da informação, que as forças da oferta e a da demanda não se equilibram da mesma forma que nos mercados tradicionais.


No âmbito das trocas de informação é a oferta de informação que cria a demanda, até porque o receptor desconhece a qualidade dos itens que estão nos acervos e não sabe o que poderia desejar, apesar de conhecer, com alguma lucidez sua necessidade de informação.A oferta de informação é constante, forte, conhecida e estabelecida; a demanda é irregular e fragmentada; é uma demanda dividida em micro núcleos sociais diferenciados em vários aspectos.


A oferta de informação se localiza em um mundo familiarizado e pela centralidade do discurso em formas homogêneas, classificada dos documentos. Por ser bem determinadas, conhecida e por permitir a governabilidade as políticas de informação são políticas de oferta de informação.


A demanda vive em terras de compromissos estéticos, pois possui regalias de submissão a sensibilidade e percepções múltiplas. A demanda é frágil e heterogênea e se realiza na subjetividade do indivíduo que, ao lidar com a forma vê o cristal, mas sabe que é na chama dos sentidos e da apreensão que está o entendimento.


Em uma economia tradicional a quantidade da demanda de um produto influencia o custo do produto no mercado. No mundo da informação esta condição é fraca e no mundo digital esta condição quase não se apresenta


O mercado de informação, quando existe, é atormentado pela relação que possa existir entre custo, preço e valor. A mesma "mercadoria" informação possui diferente valor para distintos sujeitos consumidores. Configurar um preço de equilíbrio é impossível, pois o preço pode estar muito abaixo ou muito acima do valor que, determinado usuário esta disposto a pagar, por razões de um valor de uso individualizado. A mesma "mercadoria" pode variar em seu preço em um mesmo mercado aberto. Fácil é colocar um preço de capa no livro, no fascículo do periódico impresso, no jornal diário, no CD de música, a base física admite o preço, mas não o significado de um artefato de informação.


Na produção de documentos digitais, não existe uma fabrica física e a quantidade produzida não é definida pelo volume do consumo. Os custos fixos da “fabrica”, custos de estocagem e da distribuição convencional não existem. O custo de se produzir dez artefatos digitais será quase o mesmo ao produzir mil ou dez mil.


O custo da informação digital é marginal constituído de despesas de pouca variação. Na nova economia da produção da informação digital acabam os custos relacionados com a necessidade de se produzir dentro de uma: capacidade de produção estabelecida por padrões de uma instalação física.



Existe, portanto, uma causa econômica que justifica serem os documentos de amanhã documentos digitais por uma condição racional de produção e consumo.


Aldo de A Barreto

quarta-feira, março 25, 2009

A cultura da comunicação


No X Congresso Mundial de Semiótica em La corunha, Espanha acontecerá, em 22/26 setembro, com a sessão: gestualidade: praxis e semiose, coordenada pelo professor Dominique Ducard da Paris XII.



Em anexo a ementa da sessão.


La gestualité : praxis et semiosis
Dominique Ducard (Université Paris Est-Paris 12, Céditec, France)ducard@univ-paris12.frNathalie Roelens (Université de Nimègue, Pays-Bas)n.roelens@belgacom.net



La gestualité est première - au sens de fondamental et d’originaire - dansl’activité symbolique de l’être humain. Dans son Anthropologie du geste(Gallimard, 1975 : l’ouvrage rassemble des cours de 1955), Marcel Jousse enappelait à une « mimismologie » reposant sur la conception de l’homme comme« un animal interactionnellement mimeur », qu’il qualifie aussi d’ « animalsémiologique », dont le langage est une « gesticulation significative ». Nousconnaissons davantage les travaux d’André Leroi-Gourhan sur l’humanisation etl’acculturation, dont les formes d’expression sont les traces d’une gestualitéprimordiale, par exemple dans les mythogrammes de l’art pariétal, ou encorel’étude de Marcel Mauss sur les « techniques du corps ». L’hypothèse génétiqued’une origine gestuelle du langage a été développée dans certaines théories del’évolution du langage (Corballis, Armstrong et alii), alors que des travauxpsychologiques sur la communication interhumaine mettent l’accent sur lacoactivation du geste et de la parole et soulignent que l’activité gestuelle faitpartie intégrante du processus de représentation et d’élaboration de la penséeverbalisée.


Le processus de symbolisation trouve ainsi son ancrage dansl’expérience corporelle, selon la notion de cognition incarnée (Varela et alii), etplus spécialement d’énaction (embodied action). Les langues des signes et leursanalyses montrent par ailleurs l’intérêt d’un retour aux notions issues desthéories sémio-linguistiques du signe à partir d’un langage visuel constitué pardélimitation d’unités signifiantes conventionnelles, selon un système gestuelparamétré, et qui fonctionnent comme des marqueurs corporelsmorphodynamiques.



Nous pourrions aussi lister les multiples travaux sur les valeurs culturelles,plus ou moins normées, des diverses façons de gesticuler, dans les manières defaire, au cours des actes qui règlent nos comportements, dans la vie quotidienneou professionnelle, ou encore dans les conduites ritualisées des cérémonies de lavie profane ou religieuse.


Il conviendrait, de ce point de vue, d’interroger lestransformations de cette gesticulation avec l’uniformisation de gestes ordinairesde la communication sous l’emprise des technologies informatiques. Il ne faudraitpas oublier non plus la gestualité transposée en gestuelles, par la technique et lestyle, dans les artisanats et les arts, que ces derniers soient des arts visuels dumouvement, directement (danse, pantomime, direction d’orchestre) ouindirectement (sculpture, peinture, photographie), ou des arts hybrides (théâtre,opéra, arts audiovisuels, art multimédia, performances, parmi lesquelles onpourrait compter l’art oratoire).



Ce bref aperçu des multiples domaines d’investigation et les référentsthéoriques qu’ils supposent peuvent laisser augurer une dispersion desapproches et un éclatement du point de vue. Quel peut-être l’apport desthéorisations sémiotiques dans les études sur la gestualité ? Viser la semiosis quiopère dans la saisie de mouvements corporels dans un espace-temps, c’estreconnaître des gestes comme des formes interprétables, qu’elles soientproduites intentionnellement ou non, contrôlées ou automatisés, codifiées ounon, instrumentalisées ou non.



A l’occasion du cinquantenaire de la naissance de l’IASS/AIS, nous repartironsdes réflexions menées dans ces mêmes années du début de l’association,notamment avec un numéro de la revue Langages, dirigé par A. J. Greimas, surles Pratiques et langages gestuels (juin 1968). Greimas, dans son articleintroductif (repris dans Du sens, 1970) y pose d’entrée de jeu le problème de lasemiosis, comme celui de la « relation sémiotique entre l’expression et lecontenu », en rappelant les contraintes exercées par les propriétés du corpshumain spatialisé, volume constitué en figure dans le monde. Il s’interroge d’unepart sur la praxis gestuelle, c’est-à-dire la production, par le corps, demouvements organisés et programmés selon un projet, déterminé culturellement, d’autre part sur la semiosis, qui devient alors la relation entreune séquence de gestes, prise comme signifiant, et le projet, pris commesignifié. L’analyse, de type morphématique, est ainsi orientée par une définitionde la gestualité comme « une présence au monde signifiante ». Dans une autreintervention, Julia Kristeva, en se tournant vers les travaux des ethnologues surles conceptions de la parole et du langage en Afrique ainsi que vers la kinésique(Birdwhistell), cherche à sortir du modèle phonologique-sémantique pourappréhender la gestualité comme une pratique sémiotique, dont la fonction,promue au titre de fonction de base, est dite anaphorique, d’indication d’action etde relations. Peirce, qui n’est pas convoqué dans cette réflexion, y aurait uneplace centrale.



Nous proposons donc de centrer la session thématique sur les notions depraxis et de semiosis, en marquant une ouverture, une extension, selon lestermes de J. Kristeva, dans les directions suivantes, et en postulant un rapportde sens - invariable dans son fondement mais soumis dans ses manifestations àdes variables culturelles - entre l’effectuation, la représentation, la figuration dugeste (action, conception et conceptualisation, formulation et formalisation):
Gestes, langage et langues;

Gestes et communication interculturelle;

Gestes et techniques ;

Gestes et rituels;

Gestes et arts.




domingo, março 22, 2009

Um passear de mosaicos


Uma estrutura de informação pode ser linear, seqüencial e centrada em uma narração que se quer continua ou ser entrelaçada a outras narrativas em caminhos sem destino acertado composto de varias escritas que se narram em paralelo.
A escrita deu ao homem valores visuais e uma consciência fragmentada ao contrário da convivência nos espaços auditivos, onde o dialogo de enunciados multivariados estava em muitas vozes e era mediado e centrado pelo espaço que a audição permitia.
Foi à tipografia que terminou com a cultura auditiva tribal. Permitiu à escrita multiplicar possibilidades de se enunciar no tempo e no espaço. O homem quando com seu pensamento linear e seqüencial qualificou, organizou e classificou as suas informações o fez em modo hierárquico, em uma série contínua de graus e escalas, famílias temáticas, em ordem crescente ou decrescente; uma organização por classes indicando uma subordinação relacionada com a herança do universo de palavras permitida pelo código comum.
A passagem da civilização tribal ao modo da escrita e da tipografia, alem de descentrar uma organização so saber instituída, foi uma transformação tão profunda para o indivíduo e para a sociedade, como vem sendo a passagem da cultura escrita para as esta acomodação de documentos em formato digital habitando espaços eletrônicos de acesso e transferência imediatos.
São redes de narrativas digitais com desfamiliaziração temática e um adiamento do significado que, só pode se formar, quando finalizarem as trilhas percorridas na perseguição do entrosamento dos textos paralelos.
No mundo digital a escrita acêntrica configura uma nova adaptação com o receptor e deste com o conhecimento. O texto entrelaçado com outros traz uma vinculação e um emaranhado de cadeias imprevisíveis sem qualquer qualificação hierárquica ou familiar. A percepção e interiorização acontecida a partir do convencional e do digital não tem a mesma qualidade.
Conhecer é, cada vez mais, se apropriar dos enunciados alinhavados nos textos paralelos; é como construir uma bricolagem, onde cada junção de pedaços, necessite uma permissão para assimilação na arquitetura de um ajuntamento do saber. Esta bricolagem que só se fecha no infinito é individualizada pelos desenhos e permissões cognitivas de cada caminhante no transcurso deste passear de mosaicos.
Parte de relatório parcial de pesquisa finalizada em 2009: "As estruturas de suporte da informação no processo do conhecimento: o papel da fluência digital"