segunda-feira, novembro 11, 2013

A pesquisa em ciência da informação está estacionada no passado?



A Ciência da Informação se preocupa com os princípios e práticas da criação, organização e distribuição da informação. Assim como, com o estudo dos fluxos da informação desde sua criação até a sua utilização e tem a sua disseminação ao receptor em uma variedade de formatos, através de uma variedade de canais. É dependente das tecnologias intensas de comunicação e informação. Por esta razão para uma área  que esta permanentemente se refazendo  não é fácil determinar seus temas para uma pesquisa de ponta. 

Temas como  a organização e controle da informação e seus instrumentos, a comunicação cientifica, estoques acervados e a mediação para o conhecimento tem participado como núcleo forte desde Paul Otlet até Tim Barnes-lee; mas para uma área altamente envolvida com a tecnologia alguns temas  se mostram emergentes. Este parece ser um problema para a construção de um arcabouço teórico desta área, pois como a mudança nas práticas anda sempre rápida e na frente,  a teoria (e a pesquisa) parecem vir a reboque,  correndo atrás para explicá-la e situa-la em um fragmentado corpo de difícil consenso.

Se, intuitivamente incluíssemos alguns itens para mostrar os temas de pesquisas na fronteira do conhecimento da área, teríamos em minha opinião:
  
1- Conhecer, registrar, organizar e distribuir conteúdos digitais armazenado em estoques eletrônicos no ciberespaço;

2- Conhecer e mediar o processo de produção, distribuição e consumo da informação em novas mídias considerando, ainda, a difusão multimídia;  

3- Facilitar a ação de integração social de conteúdos, através das redes eletrônicas, fortalecendo a participação em comunidades eletrônicas;

4- Promover a fluência digital como uma forma de instrução para operar novos instrumentos de acesso e interatuação com narrativas de informação digital;

5 - Estimular o desenvolvimento e a competência para fundar e operar repositórios digitais de livre acesso a informação;

6- Promover ambientes informacionais abertos nos quais o usuário  possa  modificar conteúdos já estocados  de informação dentro de um contexto consensual;

7- Prever e promover a formação e a integridade de ambientes colaborativos estabelecendo regras para seus integrantes;

8 - Pesquisar a emergência de uma condição visual de interatuar com conteúdos e, assim,  lidar com novas condições de escrita e leitura;

9 - Pesquisar a recuperação interativa de conteúdos e imagens de formato digital;

10 -  Estudar a organização da informação em ciberblocos como novos  espaços semânticos de conteúdos na web.

Contudo parece que não estamos indo neste caminho na área de ciência da informação. Em recente artigo de Gustavo LiberatoreI e Víctor Herrero-Solana publicado em publicado na Base Scielo <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-37862013000300005&script=sci_arttext>, denominado  "Caracterización temática de la investigación en Ciencia de la Información en Brasil" tem como objetivo analisar os principais temas de interesse no domínio da investigação científica na área da ciência da informação no Brasil durante a primeira década do século XXI. Para isso analisou os temas correspondente ao conteúdo da produção científica publicada em quatro grandes revistas nacionais da disciplina: Revista Ciência da Informação , DataGramaZero , Perspectivas em Ciência da Informação e Transinformação .

 A metodologia usada na pesquisa indicada foi à análise de coocorrência de palavras e a sua representação e interpretação através da análise em rede social com as áreas propostas pela Ancib em seus grupos. Os indicadores finais foram compostos por 2.498 entradas de palavras pertencentes aos 965 itens processados. Temos então  três quadros que indicariam a qualidade dos temas da pesquisa da área no Brasil:

Frequência das palavras nas pesquisas: (click para ampliar)


 O núcleo central da coocorrência: (click para ampliar)


 E a integração com os grupos de estudo da associação cientifica da área na época da pesquisa: (click para ampliar)




 Podemos apreciar nos quadros da pesquisa realizada por LiberatoreI e Herrero-Solana, que a a ciência da informação no Brasil não está operando em uma  linha de frente, nas fronteiras do conhecimento da área  ou privilegiando temas  surgidos a partir de 1990 com a popularização da web.  A ciência da informação pesquisa, ainda, em seu núcleo interno básico,  ignorando a revolução da comunicação acontecida na  área. Está como que  parada nos anos 1990 ignorando o progresso da tecnologia e  a revolução das tecnologias da informação a  partir de 1990. [exceção para algumas teses de doutorado na área].


Se  o futuro  passa por outro regime de informação, então,  estamos  longe deste futuro, pois preocupações emergentes não parecem ter chegado até o interesse de nossa pesquisa. As disciplinas e praticas de ensino são quase as mesmas nos últimos 50 anos. 

Estamos vendo a festa pelo lado de fora da janela e lembrando que o penúltimo trem já partiu e nós não compramos a passagem.

Aldo de A Barreto

quarta-feira, outubro 02, 2013

Os privilegiados da informação



 "de que adianta esta luz Senhor, se ela não brilha em mim"  **



O Brasil aparece na 57ª posição no ranking global de capital humano divulgado nesta terça, 1º de outubro 13 pelo Fórum Econômico Mundial . O ranking de “Human Capital Report”, avalia as condições para o desenvolvimento  profissional em 122 países e suas consequências para o desenvolvimento da sustentável. O índice do capital humano de um país - que consiste nas habilidades e capacidades de sua “população ativa” para promover a produção e desenvolvimento deste país;  leia mais sobre isso na notícia de O Globo. (http://goo.gl/hbstUH)

Contudo, indo ao site do IBGE  (http://goo.gl/C0UvJs ) vemos que nas  tabulações mais recentes*  verifica-se uma dura realidade sobre a educação da Força de Trabalho do Brasil. O estoque de indivíduos com  11 anos de  estudo ou mais  ( 1º e 2º grau)  corresponde a  40 milhões pessoas para uma força de trabalho de cerca de 100 milhões, o restante da força de trabalho , ou seja, algo como 60 milhões de indivíduos não teria condições de processar informação em conhecimento, considerando unicamente o fator educação formal.

Só uma pequena parcela da força de trabalho  tem condições de elaborar e se apropriar da informação para transformar em conhecimento e em seu desenvolvimento  e de sua comunidade de convivência. A sociedade brasileira teria hoje de 200 milhões de habitantes, porém   pelo menos o total da força de trabalho merecia estar em uma sociedade da informação. O que temos hoje se aproxima mais de um "Country Club" da informação do que uma sociedade da informação e conhecimento.

O alto dispêndio de recursos (escassos) que se tem com profissionais e com a operacionalização para disseminação da informação se direciona a um "clubinho" de privilegiados da informação.




*Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992/2007
** Santo Agostinho, Confissões.

sábado, junho 01, 2013

Mudança estrutural na escrita e leitura



            "A palavra e a imagem são duas correlações que se buscam eternamente”
               Goethe



É importante ter uma ideia geral das funções da linguagem e de sua relação com os atos de transferência da informação. Um ato de comunicação se efetiva quando um emissor ou remetente envia uma mensagem a um destinatário ou receptor. Para realizar-se de forma eficaz, a mensagem necessita de um contexto de referência, que precisa ser acessível ao gerador e receptor.  Este contexto deve ser verbal ou passível de ser verbalizado. É necessário ainda um código, total ou parcialmente comum ao emissor e ao receptor, e, finalmente, um contato, isto é, um canal físico e uma conexão psicológica, entre os dois,  que os capacitem a entrar e a permanecer em contato.

Acredito que ao relacionar-se com um texto de informação o receptor realiza reflexões e interações que lhe permitem evocar conceitos mentais relacionados explicitamente com a informação recebida do gerador. É uma interação de um pensamento que é seduzido por condições quase ocultas, silenciosas, de um meditar próprio de sua mais sensível privacidade. Ao apropriar uma informação textual o leitor  considera nesta “interatuação”:

a) o contexto do texto, enquanto estrutura de informação;
b) a sua colocação em relação ao texto, no tempo e no espaço da interação;
c) o estoque de informação acumulado na sua consciência;
d) suas possibilidades de tradução simbólica do código ou subcódigo linguístico na qual o texto está inserido.

Existe, contudo, um crescente entendimento de que o conteúdo de  informação  útil ao receptor é acessível, cada vez mais, em diferentes meios, classes, formas de escrita. Isto significa que, posso realizar com técnicas previsíveis, um agregado homogêneo de escritos utilizando um único código linguístico comum na recepção em um mesmo acervamento. Mas, quando em uma configuração hipertextual, uma organização pelo ajuntamento homogêneo de conteúdos é quase impossível;  o hipertexto pode até verticalizar uma narrativa em enunciados similares, mais sua tendência e liberdade estão nas trajetórias estendidas horizontalmente. São novos desafios que as tecnologias intensas de informação e comunicação estão colocando aos profissionais. Há que reestudar conceitos, redefinir relações, pensamentos, emoções.



Fonte: Masuda, Y. ,  “A Sociedade de Informação”,  Embratel, Editora Rio, 1980


A escrita aberta ou a escrita fechada têm  laços com a base física de inscrição da informação. Uma estrutura de conteúdos é formada pelas inscrições ou conjunto de expressões, que a escrita fixou em uma determinada base de suporte; uma agregação que compõe um todo simbolicamente significante. Já uma escritura aberta é como um sistema, denunciada pelo seu "grammé", que é o traço de uma escrita com que tem um estado instável da linguagem, onde não se pode, ainda, colocar frases devido a uma condição imponderável. Coincide com um o estado emotivo do pensamento; uma sensação que temos de “não conseguir ainda achar as palavras certas” para finalizar na escrita  do que queremos dizer. *

A escritura sistêmica é de alguma forma, externa à linguagem, uma explosão semiótica, pois agrega outros sentidos ao entendimento e não se prende unicamente a visão linear, como de um folhetim, onde a palavra é de enunciação continua e finita. Vai se contando signo a signo com um destino estrutural determinado.

Cada vez mais se lê diretamente na tela do computador pessoal. Pixels de fósforo, que ligam e desligam, se assemelham a vagalumes evanescentes que lembram os mecanismos do próprio pensar. O interesse na leitura digital são os seus diferentes  rumos da sedução de uma viagem por escritos entrelaçados um novo paradigma de escrita e  leitura.

Daí que, escrever para a web exige cada vez mais poder de síntese e praticidade além de uma apresentação com elementos de visualização amigável que elimine o estresse cognitivo.  Ao enfeitiçar palavras, um profissional da escrita visual ganha leitores.  O problema dos conteúdos que usam a superfluidade com as palavras é que eles perpetuam uma cultura estudantil de escrita. O velho vício de organização das ideias em um  formato: introdução, desenvolvimento e conclusão, como se escrever com ordem fosse à única expressão do pensamento; uma maneira de redigir como em um exercício padrão.

O ápice da mensagem digital não está mais no seu desenrolar. Pelo contrário, a conclusão tem que vir primeiro. Procurar ser eficiente e aperfeiçoar o tempo da escrita com o da leitura possível. As narrativas de amanhã serão cada vez mais em meios eletrônico e formato digital. Tenho forte intuição, que de que não temos uma adequada apreciação deste problema. Nossos leitores de hoje não são os mesmos de vinte anos atrás.

Aldo de A Barreto

*Derrida, Jacques. Gramatologia. São Paulo, Perspectiva, 1973.

sábado, março 30, 2013

Um abismo geracional separa professores e alunos afetando as relações de admiração e respeito que estimulam o desejo de aprender



Um abismo geracional separa  professores e alunos afetando as relações de admiração e respeito que estimulam o desejo de aprender

             trechos de um artigo de Rosiska Darcy De Oliveira*

“Uma mudança de era deu lugar a um abismo geracional que separa professores e alunos, minando as relações de admiração e respeito que, no passado, estimulavam o desejo de aprender. Os professores estão hoje a cavaleiro entre dois tempos; um passado em que conteúdos eram transmitidos de uma forma que hoje chamaríamos tradicional; um presente em que os alunos, digitais nativos habitam, fascinados, o espaço virtual como vida real e são habilíssimos em tecnologias que os professores mal dominam.

A virtualidade é o meio ambiente de uma juventude portadora dessas próteses cerebrais que são os celulares, prolongamentos de seus corpos, onde trazem armazenada — Google dispensando o trabalho da memória — toda a informação do mundo. Fotografam tudo que se passa como que deixando provas tangíveis do que é vivido em tempo real, marcando o instante, sem apelo à abstração da memória, seus caprichos e brumas.

Como tudo é registrado sem esforço, é o próprio esforço que se torna um comportamento raro e desvalorizado, o que representa um perigoso efeito colateral. Entre alunos e professores há distância e estranhamento. Por vezes, agressividade. A pletora de informações que cada um acessa quando tira o celular do bolso não implica que os jovens tenham a mínima ideia do que fazer com elas ou, pior, que saibam a diferença entre informação e conhecimento.

A aquisição de conhecimento depende do desenvolvimento de aptidões mentais e do domínio dos códigos culturais que permitem navegar com alguma coerência em um oceano de informações desgarradas. As informações disponíveis na internet são um tesouro literalmente incomensurável. Problemática é a exígua capacidade de processá-las e lhes dar algum sentido.

Assim como a palavra ganha seu sentido no texto e o texto ganha sentido em um contexto, a informação pede para se inserir em um patrimônio cultural que caberia à escola transmitir. A contextualização é condição da função cognitiva ao mesmo título que a consciência de ter aprendido, tão cara ao grande Jean Piaget. É a transmissão do patrimônio cultural e de valores que dão à juventude o sentido de pertencimento à aventura humana e estabelecem os vínculos de continuidade entre as gerações que se sucedem.

O desafio da educação é a formação de indivíduos aptos a pensar pela própria cabeça, capazes de transformar informações em conhecimentos, abertos à inovação e experimentação, afeitos à argumentação e escolha. O que Edgar Morin chama “uma cabeça bem feita”.  A vida em tempos de internet exige da escola uma metadisciplina, o aprender a aprender. Quem serão os professores dessa escola aberta ao desconhecido, sob forma de pesquisa, e ao inesperado, sob forma de criação?

Não há receita pronta de escola e sim ingredientes a combinar: a aquisição de conteúdos específicos com o aprendizado de competências transversais que permitam aos jovens dar sentido a si mesmos e a um mundo em que terão vida longa e as certezas curta vida."

Rosiska Darcy de Oliveira é escritora


*Partes do artigo de Rosiska Darcy De Oliveira, Publicado: 30/03/13 no jornal O Globo de 3-/03/2013. Leia mais sobre esse assunto emhttp://oglobo.globo.com/opiniao/uma-escola-sem-receita-7972677#ixzz2P1o0zPFG 

terça-feira, novembro 20, 2012

O efêmero e o imponderável



  "Há batalhas que nos dignificam e outras que nos amesquinham e devem ser evitadas." *

O homem é um ser disputador. Cada sujeito é obrigado a enfrentar as resistências que aparecem durante o viver de sua aventura;  nenhum objetivo importante é alcançado sem alguma luta e sem conflito consigo mesmo e com os outros. O contraditório é  próprio da condição humana e não conseguimos viver sem conquistas e lutas.

Mas devemos ter, ao menos, a possibilidade de decidir, nos limites de uma situação  quais as batalhas que vamos travar e como as travaremos.  Há batalhas que nos dignificam e outras que nos amesquinham e devem ser evitadas. Os conflitos aparecem ou por ciume, querência de visibilidade, malícia interesseira ou por pressionar uma opinião mesmo que esta possa estar errada. A defesa do erro vem com  força para não deixar espaço de outra opção. É um dever lutar pelo que se se acredita e quem não briga por seus direitos não merece ter seus direitos.

Ninguém gosta ou quer desistir da  posição conquistada, ou ocultar a sua história vivida, principalmente, se esteve participando da construção  da coisa. Nos momentos de decisão   a sensibilidade e a razão lutam na consciência para prevalecer em nossa condição.

É preciso saber ,contudo, que sempre encontraremos a adversidade das falsas questões e nas batalhas da vida estar preparado para vivenciar o efêmero - aquilo que existe mais esta desaparecendo para um fim; e confrontar o imponderável:  um elemento ou circunstância indefinível que Faça um balanço de sua vida e encontrará algo que está  acabando e você sabe que ira acabar, Assim como a intuição o sentimento de  que algo forte chegará poderosa e superveniente e podera mudar todas as coisas. Nessas etapas da vida, dado a complexidade emocional de nossos sentimentos passamos a viver um momento  pequeníssimo e indeterminado espaço de um vazio temporal; é como viver uma indeterminação entre  dois estados.

Infelizmente o destino que queremos não é o mesmo que a vida nos reserva. Mas sempre haverá, sempre  uma a razão corajosa para resistir e lutar contra  uma falsa realidade Construída para  enganar ou dominar  Nesse momento é preciso ser coerente com a sua  história de vida e  lutar sempre contra circunstâncias de impostura mal formada.

Aldo A Barreto
revisto em dez 2015


domingo, outubro 21, 2012

O indice h define um perfil de sua atuação com sua produção científica:veja como calcular seu indice h






O índice h, ou h-index em inglês, é uma proposta para quantificar a produtividade e o impacto de um cientistas baseando-se nos seus artigos (papers) citados. Em outas palavras, o índice h é o número de artigos com citações maiores ou iguais a esse número. Um  exemplos: um pesquisador com índice h = 5 tem 5 artigos que receberam 5 ou mais citações; um com h = 15 tem 15 artigos com 15 ou mais citações; e assim por diante. O indice h é também chamado do fator de impacto de um pesquisador em relação a sua produção científica e já é requerido pelo currículo Lattes em sua nova versão.

Como criar seu perfil de autor, e calcular o fator H usando o Google Academico:

Você pode ter um perfil no Citações do Google Acadêmico. É rápido e gratuito.

Primeiro, crie uma Conta do Google ou faça login em uma Conta do Google já existente. Recomendamos que você use uma conta pessoal, não uma conta de seu empregador, para que você possa manter seu perfil pelo tempo que desejar.

Depois de fazer login em sua Conta do Google, o formulário de inscrição no Citações solicita que você confirme seu nome e insira sua afiliação, seus interesses, etc. Recomendamos que você também insira seu endereço de e-mail da faculdade, pois isso qualifica seu perfil para inclusão nos resultados de pesquisa do Google Acadêmico.

Na página seguinte, você vê grupos de artigos escritos por pessoas com nomes semelhantes ao seu. Clique em "Adicionar todos os artigos", ao lado de cada grupo de artigos escritos por você ou em "Visualizar todos os artigos" para ver artigos específicos do grupo em questão. Se seus artigos não estiverem nesses grupos, clique em "Pesquisar artigos" para fazer uma pesquisa comum no Google Acadêmico com su nome.

Quando você terminar de adicionar os artigos, o sistema perguntará o que fazer quando a data do artigo for alterada no Google Acadêmico. As atualizações podem ser aplicadas a seu perfil automaticamente ou você pode analisá-las antes que sejam exibidas. Em qualquer um dos casos, é possível acessar seu perfil e fazer as alterações manualmente.

Por fim, você verá seu perfil. Nesse momento, você pode aproveitar para fazer alguns ajustes finais, como fazer upload de uma foto em que você tenha uma aparência profissional, visitar a caixa de entrada de seu e-mail da faculdade e clicar no link de verificação, verificar a lista de artigos e, quanto estiver satisfeito, tornar seu perfil público. Pronto! Agora, seu perfil pode ser exibido no Google Acadêmico quando seu nome for pesquisado.

veja o exenplo de uma página de citações em
http://scholar.google.com.br/citations?user=TwXayDgAAAAJ&hl=pt-BR

quarta-feira, julho 20, 2011

A memória nos documentos




A densidade dos ritos de informação corresponde a qualidade do saber acumulado na memória. Representa um conjunto de atos contínuos, que se acrescentam no tempo; obras pelo qual o indivíduo reelabora o seu mundo modificando o seu espaço, uma criação em convivência com o passar do tempo.

Um lugar muito especial para pesquisadores dos acontecimentos do meado do século passado e a Biblioteca do Presidente Roosevelt na presidência dos EUA com documentos digitalizados. Destes documentos cerca de 6.000 são documentos confidenciais que estavam no cofre da Casa Branca e conhecidos como: The safe documents.

Os demais são documentos do chamado Arquivo do Vaticano e Arquivo Diplomático. O Arquivo Diplomático dividido em: German Diplomatic Files e British Diplomatic Files, referentes as relações diplomáticas durante a guerra. Os registros podem ser consultados em sua forma original e em uma versão texto. Existem ainda disponíveis fotos da era Roosevelt livre de copyright.

Um aspecto interessante e que pode ser examinado é a sua extensa correspondência do presidente com o Dr. Vannevar Bush de 1938 a 1942. Dr. Bush foi o responsável pelo Comitê Nacional de Pesquisa que agregou cerca de 6.000 cientistas americanos e europeus para direciona-los para o esforço da guerra. Em 1950 Bush, devido a esta experiência, escreveu "As we may Think" sobre o problema da explosão informação em ciência e tecnologia após o término da guerra. O artigo de 1950 de Vannevar Bush é  um marco da ciência da informação como área de conhecimento.

Ainda no Projeto da memória americana da Library of Congres estão acessíveis os arquivosde Hannah Arendt que em muitas partes se trançam com a época da segunda guerra e os documentos dela provenientes. O arqueivo de Arendt relatam a vida e as atividades da autora. Com mais de 25 mil itens e cerca de 75 mil imagens digitalizadas tem uma a coleção tem textos inéditos como discursos, cartas, artigos, aulas, manuscrito de livros famosos. Dentre os inéditos está o curso da University of Chicago sobre os crimes da segunda guerra mundial  "Nuremberg War Crime Trial, a Seminar, 1968

Outros documentos de Arend são: "Aulas sobre o pensamento Kantiano: de Aristoteles a Maquiavel"; O primeiro rascunho e de "Entre o passado e o futuro" A versão publicada no New Yorker Times do livro “Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil”

A mente humana procura fugir das coisas que a assombram como realidades falsamente construídas. Cria, assim, memórias clandestinas que por seu constrangimento não querem ser domiciliadas e esquecidas e precisam ser recontadas. Estas memórias furtivas e emaranhadas se agregam pela narração de diferentes indivíduos, por caminhos alternativos e com diferente interpretação. Seu núcleo de verdade será sempre a soma do que delas é dito em diferentes recontagens como nestes arquivos com endereço certo.

AAB


Biblioteca Franklin Delano Roosevelt
http://www.fdrlibrary.marist.edu/library/index.html

Os Arquivos de Hanna Arendt
http://memory.loc.gov/ammem/arendthtml/arendthome.html

As we may Think
http://www.theatlantic.com/magazine/archive/1945/07/as-we-may-think/3881/

sábado, janeiro 01, 2011

Este é em novo tempo um novo mundo: o fim da base fixa para a informação



A atualidade experiencia, sem muitos perceberem, uma mudança sem precedentes no formato das bases da informação. Uma base de informação é formada pelo suporte e inscrições neles fixados. Referencia o modo como uma sociedade organiza seus documentos em função de seus conteúdos.

Convivemos, cada vez mais intensamente, com uma formatos abertos de informação que permitem a criação individualizada e sua edição instantânea. Cada vez mais se lê diretamente na tela do computador pessoa onde os píxeis de fósforo ligam e desligam tal pirilampos que se anunciam e dissipam como os mecanismos do próprio pensar.

Virtualizam-se, assim, as bases de inscrição das narrativas e as bases de som e de imagens. O grande ator que sai de cena é a base fixa como o papel para a escrita e as base em celuloide para som e imagem

A Polaroid se disse adeus a fotografia em 2008; a empresa que se tornou sinônimo de fotografia instantânea fechou as portas. A Polaroid não conseguiu acompanhar a tecnologia digital que mudou a cara da fotografia para sempre. Qual a necessidade de pagar o custo e esperar o tempo da revelação e impressão em papel? A Kodack vai deixar de produzir o Kodachrome, um símbolo de impressão de imagens a cores, e as substâncias necessárias para revelar fotos.

Os cinemas comerciais já disseram adeus ao já velho filme de 35 mm. Sistemas de projeção digital facilitam a vida de distribuidores e o suporte em celuloide fica para os colecionadores. A qualidade digital da projeção melhora, também, as condições de recepção. O filme é transformado em arquivo digital e armazenado em um servidor, que o envia via satélite para os aparelhos dos complexos tipo "Kinoplex" em diferentes espaços geográficos. A partir daí, basta um clique na hora marcada para que o filme seja projetado sem interrupções em uma sala de exibição.

As gravadoras já comercializam música em cartões digitais só de leitura. Um cartão magnético de memória é inserido no "slot" USB do seu receptor de som. Não risca, não arranha, não mofa, o espaço de armazenagem é muito pequeno, o custo muito menor. Comece a se despedir ou colecionar os seus CDs. Eles ficarão raros. As lojas de sua comercialização começam a fechar.

A transmissão da voz e de músicas por rádio digital foi aprovada pela Agência Nacional de Telecomunicações. A nova tecnologia começa a funcionar em caráter experimental em emissoras de algumas capitais. Você continuará a ouvir o seu futebol, mas não mais no radinho de pilha.

A tecnologia de rádio digital permite a compressão dos sinais de voz abrindo o rádio para a transmissão de textos e imagens. Os novos receptores poderão transmitir vídeo com os clipes da música tocada; o ouvinte também pode ler informações complementares às notícias transmitidas pela emissora, como autor, título da música, etc.

O rádio digital permitirá a transmissão de até três programas simultâneos, na mesma frequência, para públicos diferentes. Na verdade você terá que trocar, também, todo o sua aparelhagem de recepção de som,pois o que está em sua sala, não tem o slot USB e cedo seguirá o caminho do museu de imagem e som.

São grandes as transformações desta mudança estrutural das bases da informação, a maior delas, seguramente será o formato papel como base de informação. Está será a mudança mais sofrida pois estamos culturalmente apegados ao papel como base para a escrita, como se fosse uma extensão de nosso olhar. O livro de papel é um amigo tão querido que muitos recusam a ver que entrou em fase final.

Michel Lesk* tem um famoso artigo chamado: "As 7 idades da informação" trata indiretamente do fim do papel como base para conteúdos. Sua cronologia das idades da informação a partir do seculo XX papel começa em 1945 com o artigo de Vannevar Bush, passando pelas seguintes fases:

• Childhood (1945-1955)
• The Schoolboy (1960s)
• Adulthood (1970s)
• Maturity (1980s)
• Mid-Life Crisis (1990s)
• Fulfillment (2000s)
• Retirement (2010)

Segundo Lesk, o último tempo como o da senilidade foi o ano que acabamos de deixar. Nesse ponto 65 anos após o artigo "As we may think" de Vannevar Bush pode-se imaginar que, todo o trabalho de conversão para texto digital acabou; existe uma outra linguagem e a informação se livrou também dos estoques físicos em espaços específicos.

The Seven Ages of Information Retrieval ,
http://www.lesk.com/mlesk/ages/ages.html