domingo, maio 13, 2007

sublime recapitulação

o saber coisa divina, completo e definido desde o inicio

Na idade média , considerado o período entre o fim do Império Romano e o nascimento da civilização da Grécia e Roma, algo entre os anos 900 e 1300 a informação era privilegio dos eruditos e estava retida pelos muros dos mosteiros cuidada e vigiada pelos monges. Umberto Eco em o Nome da Rosa visualiza esta prisão no discurso de Jorge, o bibliotecário chefe dos monges copistas da Itália medieval:

"...Mas é próprio de nosso trabalho, do trabalho de nossa ordem e em particular do trabalho deste mosteiro, aliás a sua substância – o estudo e a custódia do saber, a custódia digo não a busca, porque é próprio do saber coisa divina, ser completo e definido desde o inicio, na perfeição do verbo que exprime a si mesmo...."

"Não há progressos, não há revoluções de períodos na história do saber, mas no máximo, continua e sublime recapitulação.."

A informação esteve cativa de universos simbólicos divinos por longos anos. Entre alforrias e prisões chegou até a época da Internet onde grande parte dos textos são liberado completos em sua linguagem natural. Mas muitos insistem em continuar operando por uma sublime recapitulação do passado.

Por não acreditar que exista uma constituição final desta área e que esta se reconstrui ao sabor das inovações técnicas, prefiro sempre lidar com a sua historiografia . É assim que dos anos 50 ao final dos anos 90 a informação conviveu com forte instrumental de gerência construindo universos particulares de linguagem, para compatibilizar a entrada e saída de documentos nos estoques..

Eram condições necessárias devido ao custo de sua organização e, também, de sua trabalhosa disponibilização e distribuição aos receptores. A informação completa era "mascarada" pela sua imagem construída em reduzidos universos simbólicos privados. Sua revelação aos usuários era encenada em uma vivência que, escondia a sua completeza.

Com a possibilidade de contar com dos grandes arquivos digitais a informação se mostra hoje completa e livre para diversas opções de acesso, contando com instrumentais de pesquisa e de opções de escolha para vasculhar seu texto inteiro.

Assim, contar a história de como se operava no passado, desde o tempo "do saber coisa divina, ser completo e definido" ou rever os grilhões do aprisionamento, quando se mostrava a imagem como uma ilusão da coisa completa, é didático e fundamental para o entendimento da evolução das práticas da área e para a formação dos seus profissionais.

Viver operacionalmente esta época na realidade atual, de plena liberdade da vozes e dos textos, é uma triste volta ao passado. Até porque,grande parte da audiência conhece a história e saberá desconsiderar esta vivência como algo que não é do presente, efetivo, real.

2 comentários:

Claudia Guerra disse...

Em tempo:
- a Idade Média está cronológicamente situada entre a queda do Império
Romano do ocidente e o renascimento ( lá pelos século XV, dependendo do
historiador)
- o bibliotecário Jorge de O Nome da Rosa foi uma homenagem de Eco ao
escritor Jorge Luis Borges, que foi chefe da Biblioteca Nacional de Buenos
Aires, era cego.
- a arquitetura do castelo/biblioteca do Nome da Rosa é inspirada no conto A
Biblioteca de Babel, do livro Ficções, de Jorge Luis Borges.
- a polêmica do livro de Eco está baseada num livro fictício de Aristóteles
sobre o riso ( outra referência á Borges que cita livros fictícios o tempo
todo em seus contos).

O controle da informação nesse caso está na polêmica dos tomistas
(seguidores do pensamento de São Tomás de Aquino ) que se resume no enigma:
o nome é a coisa ? Ou representa a coisa ? O nome rosa é a rosa, ou
representa a rosa?

Que acham?

abarreto disse...

Quando ao período coberto pela idade média há contaditórios!
Muitas boas sua adições a mensagem.
continue vindo aqui. Fez otima contribuição