domingo, maio 03, 2009

"O fim da Universidade como nos a conhecemos" *


Este é um artigo de opinião, escrito por um não jornalista. para o New York Times e tem provocado bastante discussão no meio acadêmico nos EUA. Entre outras coisas o artigo diz claramente: "muitos cursos de pós-graduação nos EUA produzem um produto para o qual não haverá mercado" Os programas de pós-graduação em geral são, simplesmente, uma forma usar uma força de trabalho boa e sem custo nos laboratórios e no monitoramento em sala de aula. O autor recomenda em seu provocador artigo 6 passos para melhorar o estado de penúria da pós-graduação:

1. Reestruturar todos os o currículos de disciplinas, começando com os programas de pós e prosseguindo rapidamente aos programas de graduação. A divisão do trabalho dos docentes entre diferentes departamentos está obsoleta. O currículo quando reestruturado deve ser possuir uma condição interdisciplinar e em rede como a web. Não podemos mais lidar com disciplinas fechadas em si mesmas e operando com seu objetivo e racionalidade interna sem conexão com o programa todo.

2. Acabar com os departamentos, mesmo para a graduação, e criar programas que sejam problemas-focalizados. Estes novos programas devem estar em constante desenvolvimento sendo revistos a cada sete anos.

3. Aumentar a colaboração entre instituições. Todas as instituições de ensino não necessitam fazer as mesmas coisas e a tecnologia hoje torna possível que as Faculdades trabalhem em parceria para compartilhar estudantes, reflexões, cursos e orientação.

4. Transformar o formato atual das teses e dissertações. Não existe mais condição de disseminação ou de leitura para livros ou artigos modelados no formato acadêmico medieval, com mais notas de rodapé do que o texto. Os estudantes pós-graduandos devem ser incentivados produzirem suas teses em formatos alternativos, utilizando recursos da tecnologia atual de informação e comunicação, no seu trabalho final.

5. Expandir a escala de opções profissionais para estudantes pós-graduandos. A maioria desses estudantes dificilmente conseguirá trabalho no campo em que estão sendo graduados. É necessário alargar suas opções de emprego, de maneira acadêmica e prática, para considerar o trabalho em áreas paralelas a sua formação. Este processo de redirecionamento do conhecimento e habilidades de procurar novas alternativas servira, ainda, para desenvolver nas universidades a semente da readaptação em um mundo em constantemente em mudança.

6. Impor a aposentadoria imperativa, após determinado tempo. Terminar com a titularidade do conhecimento. Professores titulares não aumentam a liberdade acadêmica e podem ser bastante avessos a mudanças por sua posição fortalecida. Todos os professores inclusive os titulares devem ter contratos de sete anos. A cada período de 7 anos todos os docentes devem ser reavaliados, inclusive os titulares; avaliados em sua produção intelectual, sua pesquisas realizadas, a sua relação com alunos e com a academia.

O autor termina seu artigo dizendo: "Por muitos anos eu disse aos meus alunos - Não façam nunca o que eu já tenha feito ou dito a vocês. Ao contrário peguem o que possa ter-lhes ensinado e usem isso de uma maneira que eu nunca poderia ter imaginado em usar e depois voltem e venham me contar " Este é o desprendimento que se espera do novo ensino e dos novos docentes?


Vale a pena dar uma visualizada no artigo, até para notar como o jornal NYT está modificando sua estrutura interna, no formato online,, onde já predomina uma estrutura típica de um Blog. Este artigo, por exemplo, permite interação com os leitores e o envio de comentários que são publicados em anexo ao texto. Para este texto, até a data desta nota, cerca de 500 comentários haviam sido postados e podem ser lidos.


* Fonte:
Taylor, Mark C.O "O fim da Universidade como nos a conhecemos"
["End the University as We Know It"] publicado no The New York Times de 27 de abril de 2009
http://www.nytimes.com/2009/04/27/opinion/27taylor.html

Mark C. Taylor, é o diretor do departamento de religião na Columbia University é o autor de “Field Notes From Elsewhere: Reflections on Dying and Living.”

Um comentário:

Frederico Cutty disse...
Este comentário foi removido pelo autor.